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quarta-feira, 27 de julho de 2011

Você se lembra?


 Sabe quando simplesmente você acorda e sente um vazio estranho? Não, não é fome, pelo menos eu sei que não. Depois de tudo, o tempo parece que passou rápido demais. Olho para as paredess do meu quarto, as da sala... elas são cheias de fotografias, como se eu quisesse realmente enfiar uma ideia de quem eu sou na minha cabeça, talvez para enfrentar esse vazio que eu sinto ao acordar. Eu não sou psicólogo, ele aqui é você, então vou começar logo...(...)
O velho de quase dois metros deitou em uma posição confortável no divã, com as mãos em cima do peito que carregava algumas mágoas e poucas vitórias. Olhava para cima com frequência, evitava fitar diretamente para o homem à sua frente que mais parecia uma estátua do que um médico. O velho não sabia o motivo, mas lembrar era uma tarefa árdua. No entanto, ele ensaiou, tomou sua Kriptonita e decidiu procurar ajuda para o seu problema. Passou a mão na testa, suspirou e voltou a falar:
  Eu sou D'Artagnan, ao menos é isso que eu acho . Nasci com o mosquete em mãos, fui treinado desde pequeno, sou aquele cara que de vez em quando aparece nos jornais e noticiários da cidade desde salvando gatos presos em árvores até impedindo pequenos roubos. Não sou rico, não sou um Batman da vida, recebo algumas condecorações, uns prêmios e me privo de muitos luxos. O verdadeiro problema é que certo dia eu fui atrás de um ladrão que acabava de roubar uma senhorita na avenida principal. Eu sei onde os ratos se escondem, então saquei meu mosquete e corri atrás do rato até minhas entranhas queimarem, para onde foi todo meu fôlego?
Suspirou novamente, tentava não lembrar, mas precisava pois isso trouxe o dilema de sua existência. Tomou fôlego e voltou à luta.
  Cansado, ele não portava arma de fogo. Bradei: "Filho, larga essa bolsa! Você não precisa tornar isso doloroso!" Engraçado, os jovens ratos nunca escutam os mais velhos — O velho sorriu mostrando os dentes amerelados. Seu semblante foi tomado por uma alegria instantânea ao relembrar o momento de glória. — Parti para cima dele e com cinco sopapos bem dados ele foi ao chão. A senhorita chegou logo depois aos prantos, entreguei-lhe a bolsa quando aqueles olhos começaram a brilhar, ela sorria em meio a soluços: "Pai..papai, onde você esteve todo esse tempo?" Algo me atingiu no fundo e levantou esse Vazio, a única coisa que eu consegui fazer foi correr para longe, bem longe daquele vazio enquanto eu tentava recordar alguma memória da garota. Eu tentava me recordar mais não conseguia. (....)

Chegando ao meu apartamento, olhei todas as fotografias. Eu não possuía uma família, mas lembrei que possuía um velho diário guardado em uma gaveta trancada juntamente com a minha kriptonita, cápsulas de controle. Consegui dar uma breve lida no diário antes das lágrimas rolarem. Lá dizia que meu nome era "Miguel Soares", que eu fui um professor ótimo de esgrima, tinha uma mulher e duas filhas, e que fui diagnosticado com Alzheimer há praticamente três anos. Nos meus relatos eu não conseguia aceitar a ideia de que ia me esquecer de tudo daqueles que eu amo, e que provavelmente eu iria virar um vegetal em uma cama. (...)
 Então eu, com o tempo que me restaria, tentaria fazer um mundo melhor para aqueles que amo. Tenho certeza que essa doença vence meu corpo cada dia mais, pois só me lembro disso porque tomei as cápsulas. Pouco tempo me resta, e eu não quero ser um vegetal impedindo a vida da minha família. Nas páginas finais do diário, dizia que eu me despedi devidamente (...)

 No final, existem várias maneiras de lidar com uma situação: Você pode ver isso do lado positivo ou negativo, mas provavelmente toda decisão que você pensará em tomar  terá seu lado bom e ruim. Descobri que a causa do vazio é esse amor reprimido pela minha família, que de alguma maneira é mais forte que memórias de um cérebro degenerado, e essa será a energia que me impulsionará a lutar contra esse monstro que está alojado no meu cérebro. Porém, essa dúvida sempre irá me perseguir: Eu agi certo abandonando minha família, possíveis amigos, trocando uma vida por Outra?
Alguns minutos de um pseudo-silêncio sagrado tomaram conta da sala enquanto o psicólogo terminava de tomar suas notas sobre o singelo caso do paciente. Quando a estátua ia abrir a boca para concluir o caso, o velho olhou para o mesmo com olhos empapuçados atrás dos óculos e disse: 

— Quem é você?
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Bom pessoal, to começando uma nova série aqui no blog, espero que gostem e sejam bem vindos a “Cidade Rex¹!” Alzheimer é um assunto sério e eu vou passar alguns dados do que pode ser feito para diminuir ou mesmo evitar a doença:
¹ Rei em Latim.


- A inclusão de fruta e vegetais, pão, trigo e outros cereais, azeite, peixe, e vinho tinto, podem reduzir o risco de Alzheimer

-Atividades intelectuais como ler, escrever com a mão esquerda, disputar jogos de tabuleiro (xadrez, damas, etc.), completar palavras cruzadas, tocar instrumentos musicais, ou socialização regular também podem atrasar o início ou a gravidade do Alzheimer.

- Reduzir ao máximo o contato de alimentos com o alumínio, Ele está presente em panelas que armazenam as sobras do almoço para o jantar, ou vice-versa. Ao ficarem na geladeira, por exemplo, aos poucos a panela solta pequenas partículas de alúminio que contaminam o alimento, dê preferência por armazenar as sobras em recipientes de plástico, e volte para a panela somente quando for aquecer. 

-Evite também o uso excessivo de papel alumínio para embrulhar os alimentos, sobretudo em lanche para as crianças. 

-Dê preferência por potes de plástico, que além de conservar melhor o alimento sem amassá-lo, evita o gasto com o papel e ajuda a natureza na hora de reciclar, reduzindo o lixo produzido.

-Existe uma relação inversamente proporcional entre a prevalência de demência e a escolaridade. Nos indivíduos com oito anos ou mais de escolaridade a prevalência é de 3,5%, enquanto que nos analfabetos é de 12,2%

Caso tenha alguma dúvida ou suspeita procure se informar nos links abaixo e se informar com um profissional que irá avaliar o caso e o tratamento correto.

Abraços




domingo, 24 de julho de 2011

Sina

Anteriormente na saga de Zara, o caçador de anjos:


"Vocês ouvirão, mas não entenderão;
olharão, mas não enxergarão nada.
Pois a mente deste povo está fechada:
Eles taparam os ouvidos
e fecharam os olhos." (O Evangelho de Mateus, 13. 14-15)



O ferro oxidado das correntes da algema raspavam em um barulho irritante enquanto dois policiais seguravam meus ombros como se tivessem qualquer poder sobre mim. Nós três andávamos calmamente pela delegacia como um trio de amigos tomando sorvete em um shopping center. Só faltavam as lojas, as pessoas animadas, os sorvetes... e os amigos.
(Tudo bem, não parecia nada com uma andança no shopping, era mais uma caminhada pelo apocalipse.)
Entrei numa sala. O delegado — que parecia com os guardas e com oitenta por cento das pessoas, afinal eu estava no bairro de Adachi, em Tóquio, e a Ásia inteira saiu da mesma fôrma — olhava por trás de seus óculos ovalados querendo me repreender ou algo assim. Quando me sentei, senti que seus olhos ainda me acompanhavam.
— Como você está? — Ele perguntou, naquela rapidez da língua japonesa. 
— Algemado.
— Senhor Zara, isso aqui é sério. Se você continuar com essas piadas, vai ter que levar umas palmadinhas na cara.
Não sei até hoje se ele estava tentando ser sério ou debochado com essas palavras. Só sei que um sorriso escapou no canto da minha boca e eu murmurei desculpas nada sinceras. Os policiais já tinham saído do local e esperavam do lado de fora. As algemas ainda irritavam minha pele humana.
— Conte-me o que aconteceu detalhadamente.
— O qu te contaram sobre ontem?
— Eu faço as perguntas aqui — Assumo, eu sou abusado. Oras, eu não vou morrer, pra quê vou me preocupar? — O que aconteceu naquele hospital?
— Entrei nele por volta das seis e meia. A criança estava no berçário, dormindo como um querubim — Minha voz estava firme demais, estava parecendo um psicopata. E isso não era bom — Quando eu estava pronto para enviá-la de volta ao céu, a enfermeira chegou e bateu em mim com uma bandeja ou algo assim. Aí apareceram so seguranças, a polícia... e bem, estou aqui, olhando para você.
A história não foi bem assim. Eu não seria tão facilmente detido por uma enfermeira.
Quando cheguei no pequeno berço hospitalar, lá estava ela. "HARUME, Reiko", dizia a tornozeleira de identificação dela. Seus olhinhos estavam fechados, era uma coisa linda de se ver. Na minha terra ela era Belá, um anjo exibido e vaidoso que só estava na Terra para se gabar desse feito. Um dia ele foi meu amigo, confesso.
Voltando à Reiko, eu fiquei olhando aquele corpo frágil enchendo e esvaziando com a respiração e uma estranha comoção me invadiu. O tempo em que havia vivido com humanos até então tinha surtido um efeito negativo em mim: A criação de emoções. E aí, notei que emoções só servem para atrapalhar nossas missões.
Refleti tanto em frente à criança que a enfermeira notou minha presença no berçário e me atacou ao ver a adaga que eu tirava com lerdeza da minha cintura. Foi tudo tão rápido que nem tive coragem de reagir, poderia provocar mortes desnecessárias. Então, me deixei ser levado para a sala daquele delegado arrogantemente bobo.
De certo modo, ser humano é divertido.
— Sabe, Zara... — O delegado gordo e calvo arrumou seus óculos sobre o nariz e se ajeitou na cadeira pequena demais para suas adiposidades — Você não tem documentos, você nunca foi visto pelas redondezas... Você parece ter caído do céu.
(Na verdade...)
— O que eu quero saber é por que você queria matar a recém-nascida. Por quê, Zara? Por quê?
— Senhor, a recém-nascida é um anjo.
— Toda criancinha é um anjo, é o que dizem.
— Você não me entendeu.
O gordo franziu a sobrancelha como se dissesse "eu entendi, seu babaca". Só que a verdade sobre os fatos ia muito além do rostinho angelical de Reiko. Você sabe disso, claro.
— Ela é um anjo.
— Então, ela...
— Um anjo. Anjo — Repeti para dar ênfase. Apontei para o alto pra ver se ele entendia de fato, mas o delegado ainda estava matutando.
— Você quer dizer... que ela veio do céu?
— Sim.
Lembra do papo das emoções que eu falei? Então, naquele momento outra delas surgiu em desenvolvimento na minha psique — se é que tenho psique, alma ou coisas assim: A raiva.
O delegado olhou para mim em silêncio, depois desatou em uma risada intragável e rouca. Suas banhas pareciam obstruir as pregas vocais, era tosco de se ouvir. E ele ria olhando para mim, o que me deu uma vontade repentina de ter um rifle na cintura em vez da adaga.
Mas Ele me disse "sem mortes desnecessárias, Zara". Tudo bem, sem mortes. No entanto, teria que haver uma lição.
— E você é o quê, um caçador de anjos? — Ele perguntou, ainda entre as risadas defeituosas.
— Eu também vim do céu.
— Ah é? Então prove, anjo. Não estou vendo nenhuma asa atrás de você, nenhuma auréola em sua cabeça... você parece tão anjo quanto eu.
(Ah, teria que haver uma lição. Nem que fosse fazer uma redução do estômago dele com a minha adaga.)
— Eu não posso provar que sou um anjo — Levantei da cadeira, o que fez o delegado diminuir um pouco a risada — Mas posso provar que não sou como você.
— Espera um pouco — O gordo pegou um celular daqueles com rádio e chamou os policiais que estavam na porta. Eles entraram com aquele rosto nada amigável, bem diferente de alguém tomando sorvete no shopping — Olhem esse cara. Ele quer dar um showzinho pra gente.
Já era noite, todas as luzes da delegacia estavam acesas. Senti que aquela era a oportunidade para brincar um pouco com a sanidade das pessoas. Sei que Ele pediu para que eu mantivesse discrição, mas eu estava me tornando humano demais para ignorar a ingenuidade alheia.
Concentrei minhas forças na luzes. Todas as lâmpadas, televisores, monitores de computador. Senti cada fagulha de luminosidade em volta da minha própria energia. Eles começaram a oscilar, o que fez muita gente parar de fazer suas tarefas para dar aquela olhadela para o alto. E aí, suguei tudo. Essas luzes entraram pelos meus poros e circularam em minha volta, enquanto a delegacia ficava no breu. As risadas cessaram, o falatório cessou, a delegacia cessou naquele momento em que eu era o único ponto de luz do local. Um homem iridescente de quase um metro e oitenta.
O delegado à minha frente era só uma sombra apavorada. Provavelmente estava querendo chorar no colo da mamãe ao me ver lá, ao mesmo tempo algemado e com poder o bastante para explodir o prédio inteiro. Ele finalmente percebeu que era pequeno diante de mim. Estava tudo claro para ele agora.
(Pegou o trocadilho, né? Desculpe-me, é o convívio.)
— Eu sou pura energia. Eu posso ser o que eu quiser, e se você não acredita em mim — Olhei bem fundo nos olhos dele, irradiando o medo em suas retinas engorduradas — Não irá acreditar em mais nada.
Deixei as luzes saírem. Em poucos segundos, a oscilação voltou e aí tudo estava aceso de novo. Eu era só mais um no mundo, mas o delegado não estava mais no controle da situação.
— Vocês ainda têm muito a aprender — Eu dizia, sentindo uma desconfortável tristeza sobre mim. Abaixei os olhos e mirei o vácuo enquanto todos me olhavam pelas janelas gigantescas da delegacia — Eu não sou o único entre os humanos. Vocês veem o mundo como um espelho, veem dele o que querem ver. Mas a verdade... o que vocês deveriam ver... está do outro lado. Muito além de... algemas  Quebrei aquele ferro retorcido com um tranco feito por ambos os punhos, e desvaneci.
Começo a pensar que Deus não me mandou aqui para caçar anjos. Olhando meu novo cabelo ruivo em uma vitrine na rua — estava pensando em me tornar uma mulher por um tempo, pode ser interessante —, parece que a raça humana anda perdida demais, e precisa de algo para guiá-las. Uma religião, uma música, um vestido vermelho com vários bababos inúteis que estou vendo agora atrás da vitrine. Talvez eu esteja aqui para guiar, ou para me perder junto deles.
Volto à entrada o hospital, mas algo me diz para esquecer da pequena senhorita Harume, pelo menos por enquanto. Virei o rosto para os carros na avenida e saquei um cigarro do bolso — uma das coisas boas que estão na cartilha "Anjo vs. Humano: Vantagens e Desvantagens". A coisa ruim é que logo depois de fumá-lo eu tenho que trocar de roupa, o cheiro da nicotina, alcatrão e centenas de substâncias gruda no tecido que é uma beleza.
Enfim, chega de tergiversar. Encarei cada vida que passava em cada carro. Pensei para onde iam, de onde vinham. Seus futuros, seus passados. Olhei minha situação na Terra e concluí que não era tão diferente dessas pessoas nos carros. Todos estamos boiando no meio de um oceano cheio de conflitos e de emoções. Essa é a sina que todo ser vivente tem que carregar nas costas endurecidas pelo tempo: Não sabermos a missão, mas mesmo assim cumpri-la.
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Saudaaaaaaades do meu querido Zara ! :D
Gente, como estou fazendo as coisas na pressa aqui na lan house, se tiver algum erro de digitação comenta aqui, please. Eu arrumo, deleto o comentário e o mundo fica azul, okay?
Espero que tenham gostado, porque eu... putz, eu amei, hahahahaha
Tschüss!

(p.s.: Deu alguma coisa errada na formatação, o começo do texto tem menos espaçamento que o resto. Algum staff aí por favor arrume, se conseguir, porque eu não tive sucesso. Grato :D )

sexta-feira, 8 de julho de 2011

A tal de Alice


- Parte 1: A poesia de Adelaide -


"Como eu consegui achar alguém que me ama tanto?
Como eu posso amar tanto alguém a ponto de querer me casar?
Como não ficar olhando esses olhos tão perfeitos?"

Estava lendo as cartas de Adelaide pela última vez.  Resolvi acabar de ver com esse espetáculo e me livrar da sombra dela antes que ela se livre de mim.

Tudo que me fazia lembrar dela — presentes, rascunhos de músicas, fotografias e, claro, cartas — estava sendo colocado em um saco de lixo. Depois, eu iria queimar tudo e esquecer, pelo menos por essa vida, que Adelaide existiu. Não posso deixar que um amor fácil de adolescência acabe com minha sanidade, simples assim.
Só que o interfone tocou.
Será que alguém naquela "festa" não percebeu que eu queria paz? Eu só queria ficar um pouco sozinho, será que nem isso ele podem me dar de presente? Deus do céu...
— Oi — Falei secamente no interfone.
— Tem uma tal de Alice querendo falar com o senhor.
Alice? Mas não conheço nenhuma Alice...
— Manda subir.
Desliguei o interfone e enchi um copo com água gelada. Já aconteceu isso comigo algumas vezes na vida, mandar mulheres no meu apartamento. Era um presente, alguma vadia para eu relaxar com meia hora de sexo.
Bebi a água em um piscar de olhos, olhei para a noite pouco estrelada e tentei achar Adelaide nela. Eu estava irrequieto, eu precisaria desabafar com "a tal de Alice" antes de transar com ela.
E a campainha tocou.
Olhei pelo olho mágico e o que vi não era nada ruim. Cabelos negros, com mechas azuis; olhos pequeninos e levemente esverdeados; seios fartos e quadril igualmente grande. E o melhor, não tinha cara de ninfeta. Parecia ter mais de trinta anos.
Peguei a chave, rodei na fechadura e vi Alice por completo e em tamanho real. Ela estendeu a mão para eu cumprimentá-la. Comecei a achar que ela não era uma vadia qualquer.
— Olá, Alice — Apertei a mão dela com delicadeza e até me esqueci de beijá-la. Fiz um sinal para ela entrar, e Alice andou calmamente para o interior do meu apartamento.
Ela ficou olhando as paredes com atenção antes de falar qualquer coisa. Parecia procurar algo antes de tirar a jaqueta de couro e me enquadrar na parede.
E aí ela tirou a jaqueta e me perguntou onde ela poderia deixá-la. Falei para ela deixar onde quisesse. Alice, então, deixou no braço da poltrona e sentou nela com as mãos entre as coxas. Sentei na cadeira de frente para ela sem nenhuma pose. Ela não parecia querer transar comigo.
— Rodrigo, eu... preciso te falar algumas coisas — Alice tinha uma voz rápida e levemente estridente. Como em um passe de mágica, Adelaide me veio à cabeça. Ela tinha a mesma voz de pássaro.
— Sobre...?
— Sobre mim, sobre você... e também sobre Adelaide.
Até ela falar "Adelaide", meu olhar era vago e disperso. Quando falou, meu cérebro entrou em um nó tão grande que meus olhos perderam a habilidade de piscar.
— O que tem Adelaide?
— Vocês começaram a namorar quando tinham quinze anos. Foram juntos até os dezessete anos, mas terminaram a relação porque ambos tinham que viajar, certo?
— Sim — Respondi com uma interrogação no tom de voz. Quem era essa mulher de palavras tão diretas quanto as minhas?
— Então... ela não viajou para a Inglaterra. Ela mentiu.
Alice falou com o olhar baixo, esfregando ininterruptamente as mãos. Estava mais mtensa que um coelho sendo carregado por uma ave de rapina.
— O voo para Londres tinha escala em Salvador. Ela ficou lá, onde alguns parentes dela moravam. Os pais dela também não sabiam de nada disso. Ela armou esse esquema para ninguém saber.
— E por que ela fez isso? — Em vez de dizer "faria", minhas pregas vocais falaram "fez". Por algum motivo, eu acreditava inconscientemente em Alice.
— Ela estava grávida.
E aí, tudo fazia sentido.

Olhei dentro dos olhos de Alice. Lembrei da carta que estava lendo antes dela chegar, e me veio à mente meus olhos. Olhos que Adelaide amava, e que mais ninguém soube amar. E vi que aqueles olhos pequenos da mulher à minha frente eram meus.
Alice era minha filha.
— Ela não queria contar isso para ninguém, tinha medo. Confiou na tia-avó baiana e teve a criança lá. Era uma menina. Essa menina... sou eu.
Adelaide sempre quis uma filha chamada Luciana, mas sabia que eu gostaria de ter uma Alice. E, no final, tive.
— Claro, ela nunca chegou a te trair, então ela sabia que eu era mérito seu também. Por isso me deu o nome que você gostaria de dar à sua filha. Mesmo assim, resolveu me esconder de todos. Fui criada pela família baiana dela até completar dezessete anos, quando ela me empregou na ZooSisters e fingiu que eu era só uma funcionária da ONG. Até hoje dá para contar nos dedos de uma só mão quem sabe dessa história.
— Ela não te contou sobre mim por uma razão especial: ela não queria estragar sua carreira. Estava tudo tão certo com o Portobello Club que uma filha só destruiria seus sonhos. E Adelaide sempre quis te ver feliz, e até hoje é assim. Ela me disse para vir hoje, pois sabia que esse era o momento certo da sua vida para saber de mim. Então, considere-me como o presente dela para seus cinquenta anos.
Alice sorriu com o que se pode chamar de receio. Ela havia ateado fogo em mais da metade das minhas comvicções, temia minha reação diante disso tudo. Só que eu estava feliz, como nunca havia sido na vida.
— Olha, eu não podia ficar tanto aqui, ainda tenho que terminar os relatórios de importação da ZooSisters Macapá, então já vou indo, tudo bem?
— Você promete que vai voltar?
— Não. Eu quero que você me procure. E procure também Adelaide, ela sente sua falta. Mas não tente nem insinue nada, o marido dela é muito ciumento. Tchau, pai.
E Alice levantou da poltrona, vestiu a jaqueta e saiu do meu apartamento. Eu, por minha vez, não sabia mais levantar da cadeira. Um sorrisos bobo havia tomado conta da minha boca, e eu não conseguia pensar em nada além dos olhos da minha filha. Eles eram meus.
Olhei de novo pela janela. Desta vez, encontrei Adelaide entre as nuvens. E acho que me encontrei também. E nós dois não estávamos juntos, mas estávamos felizes. Agora, nós dois podíamos dormir em paz. Colocamos o ponto final em nossa carta, dobramos o papel e o guardamos. Em nossos corações.

"Bem, vou acabando essa carta por aqui.
Te amo, e mesmo eu não sabendo quanto tempo vai durar, eu sei que vou me lembrar pra sempre de você.
Ich liebe dich. Für immer. "



- Posfácio -

Vocês não têm noção da pressa com que digitei isso aqui. E não consegui achar fotos decentes também, mas pelo menos acabei, galera! Essa história me custou muito trabalho mental, acreditem. É aquela velha história do passado desenterrado, mas no meu caso acho que estou enterrando agora com esse fim.
Parei de falar. Comentem aí se gostaram da série e pronto. Aê.

(alguém sentiu insatisfação nesse posfácio? quer dizer, além de mim)

domingo, 3 de julho de 2011

Uma vida inteira pela frente

Conto inspirado em: KISS - Beth (letra)


(Primeira ligação, às dez horas da noite.)
O celular toca mais de oito vezes, mas nada dele. Beth, de camisola no sofá da sala, repousa o telefone no gancho e se encolhe no assento tentando se aquecer do vento frio da solidão.
Ela tinha uma vida inteira pela frente, mas resolveu se casar o mais rápido possível. Tinha medo de se tornar velha demais e não ter um homem que a amasse quando tivesse quarenta e tantos anos e rugas o bastante para deprimir uma mulher. Ela tinha vinte e cinco anos e nenhuma ruga, mas mesmo assim seu homem não a amava.



(Segunda ligação, às dez e meia da noite.)
Depois de seis toques, o celular foi abruptamente desligado. Beth orava para que seu marido não tivesse feito isso. "Pode ter sido um dos amigos dele, talvez eu esteja atrapalhando algo importante", ela pensava com inocência.
Foi ao banheiro, passouu creme nos longos cabelos negros e no rosto sedoso. Com seu hálito quente, fez uma pequena nuvem esbranquiçada no espelho e com o dedo desenhou um coração. Sorriu ao ver o músculo do amor, e foi embora antes dele desaparecer com o ar gelado. Não queria ver seu amor ir embora.

(Terceira ligação, às onze e quinze da noite.)
Ele atendeu. Disse que não poderia ir para casa naquele momento, estava jogando pôquer com alguns amigos. Prometeu que já estava de saída, e antes da meia-noite estaria em casa, mas logo desligou quando os tais amigos o chamaram. Terminou a ligação dizendo o que ele podia fazer.
"O que você podia fazer?", pensou Beth. "Você podia voltar para casa, me dar um longo beijo na boca. Podia me dar alguma satisfação quando fosse sair com seus amiguinhos. Podia me trazer um agrado de vez em quando, nem que seja um bombom. Podia lembrar que tem uma esposa."
Mas Beth nunca falava essas coisas. Preferia guardar no buraco negro dos seus olhos vazios.

(Quarta ligação, à meia-noite e três.)

"Você sempre está aí, falando que se sente vazia, que nossa casa é o seu inferno", ele começou a gritar. Já estava bêbado. "Eu tou sempre em algum lugar e você fica aí sozinha em casa. Por que você também não sai, vai conhecer gente nova? Por que depende tanto de mim? Por quê?"
Talvez porque ele era o marido de Beth, mas isso não vinha ao caso. Ela já não queria mais saber de justificar sua desgraça. Desligou o telefone e desatou a chorar, com a cabeça debruçada nos joelhos. Sua alma morria a cada dia com esse homem.

(Quinta ligação, à uma e sete da madrugada.)

Essa ligação foi dele. Disse que sabia que Beth estava sozinha, e estava muito triste com isso. Disse também que sabia que ela ficaria bem. Finalizou falando que ficaria jogando com seus amigos a noite inteira.
Depois disso, Beth resolveu dormir. Tomou seus calmantes, deitou na cama e fechou os olhos.
Sonhou com um homem que a amasse. Sonhou com um homem que não a fizesse sangrar. E aí, nunca mais conseguiu acordar para a realidade. O que mais Beth podia fazer? 


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Devem ter alguns erros de digitação aí, se tiver me avisem .
E quem tiver uma proposta de emprego aí, também avise.
Bye, galere! 


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Mãos que curam

.Ultraviolência. IRA.Cura!


Uma memória agridoce toma conta do meu cérebro, o que é isso que cresce dentro de mim afinal? O que é esse ódio toda vez que o vento semeia seu nome no meu coração? Minha "humanidade" se esvai deixando em seu lugar a ira de um animal. Não consigo conter o crescente desejo em minhas mãos, nessas ruas sujas banhadas em pecado qualquer um pode ser uma vítima da minha Ira. 
A poesia se esvai enquanto os dedos marcam o pescoço do homem que estava jogado no chão, risos abafados são liberados na atmosfera, sorrisos que iludem olhos psicóticos. Devagar o fluxo de sangue começa a diminuir em função da força aplicada, esse de fato é o momento mais bonito onde todas as canções fazem sentido no último suspiro de uma vida. E o corpo imundo e morto cai no chão estático, nenhuma honraria para aquele velho moribundo, nenhum respeito ao cadáver que é recebido a chutes. 
"Querida, ainda pode me escutar?" Até que a sola da bota ficasse suja com o sangue eu não parei, eu não conseguia. "Boa noite, meu amor... era só isso que eu queria te falar!" Sangue fresco banhava minha mão, e então me senti realmente vivo ao tirar outra vida, senti-me vivo como eu costumava me sentir com a minha amada. Senti-me vivo da pior maneira possível, e o ciclo do sofrimento na minha cabeça apenas começava, vozes gritavam, mas como isso era possível no silêncio sagrado? 
Ali na escuridão, no mais profundo abismo eu corri, corri para longe talvez para apagar minha existência, porém tudo o que eu consegui foi me afundar mais naquele balé infernal. Cansei de lutar, eu sumi em um dia nublado. Uma quarta-feira qualquer. Ninguém pareceu se importar, aquele que voltou no meu lugar foi apenas um resultado, uma consequência da natureza de uma vida de mágoas e tristezas. 
E o pesadelo apenas começava.
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Eu achei que suas mãos trariam a cura para a minha dor...Bom pessoal é isso to preparando um texto bem legal com esse personagem e o Andarilho do asfalto( Personagem de Quando o coração guia a Mão). Abraços e sigam o blog, e o twitter @heavenswillburn para saber das novidades, das cantadas do Don Dourado, signos etc.



Ah Só um Lembrete :D






sábado, 18 de junho de 2011

O espantalho



Com o espantalho, eu aprendi a ter paciência.
Todos os dias eu olho meu milharal da varanda e vejo o espantalho na mesma posição, esperando o milho crescer. Fica lá, esperando o milharal bater em seus braços, ser recolhido e renascer. Assim, por toda sua eternidade feita de palha, ele sabe que tudo acaba, mas também sabe que muito nasce onde algo termina. E que nada pode mudar isso senão o tempo.


Com o espantalho, eu aprendi a ser resistente.
As estações passam, e com elas vêm todos os tipos de problemas: chuvas, geadas, abutres, ventos. Mas lá está o espantalho, sacolejante mas sempre firme em sua estaca, atento com o milharal a todo momento.

Com o espantalho, eu aprendi a dar valor aos dias.
Ele sempre olha para a mesma direção, vê o sol nascer e nunca o vê se pôr. Mesmo assim, ele continua sorridente. Para o espantalho, não importa se o dia nasce chuvoso, ensolarado, triste ou alegre. Ele está feliz porque o dia nasce para ele.

Com o espantalho, eu aprendi que sempre tenho algo a aprender.
E ele, por sua vez, aprendeu que até mesmo um espantalho tem muito a ensinar.

*

Sempre que falo que não vou mais postar aqui, eu começo a postar loucamente. Ironias da vida, sacumé.

Eu sei que estou usando demais essa parte final dos meus textos como desabafo, mas é meio que necessário. O papel e a caneta é o que me salvam, sempre me salvaram.

Mas a salvação está muito próxima da danação.
Tschüss!

quarta-feira, 15 de junho de 2011

O discurso de Rodrigo

- Parte 1: A poesia de Adelaide -


Subo no palco. Ah, quantas vezes já fiz isso?

Centenas de pessoas naquele salão me olhavam, esperando minha voz sair pelos alto-falantes. Todo tipo de gente, desde os caras da Portobello Club, passando pela minha família pequena e chegando nas garotas do meu fã-clube. Era muita gente mesmo, até gente que eu nem sabia quem era.
Segurei o microfone com uma mão e o pedestal com a outra. Tentei, por um momento, avistar Adelaide em meio a muita gente desnecessária, mas nada dela. Talvez ela nem morasse mais em São Paulo, caramba. Como fui idiota em convidá-la.
Bem, então vamos lá. Hora do discurso.

— Primeiro, eu... queria agradecer a todos que vieram. É uma honra para mim dividir esses cinquenta anos com vocês.
Minhas mãos estavam fazendo pressão demais no pedestal. Percebi que elas, de algum modo, estavam geladas de suor. Parecia a minha primeira vez em cima de um palco.

Quantas vezes já subi em um palco, mesmo?


— Em segundo lugar... eu quero dizer o quanto essa vida é bela, sabe? Nunca havia me imaginado aos cinquenta anos assim como estou. Nunca pensei que meu esforço seria tão recompensado, e acho que alguma coisa lá em cima me ajudou. Ou lá embaixo, não sei.
Como sempre, arranquei algumas risadas da plateia. Só eu não conseguia rir. Meus olhos ainda estavam agitados, olhando para todos e para ninguém. Senti medo, como não sentia há muito tempo. Sentia minha pequenez diante do meu coração.
E, de repente, eu não podia mais segurar.

Fechei os olhos e tentei esquecer Adelaide. Enquanto estava de olhos fechados, nem notei o tempo passar. E ele passou rápido. Os convidados começaram a burburinhar com um ar de preocupação, mas minhas pálpebras não queriam levantar. Eu estava preso.
Minha respiração acelerava mais e mais. Alguns já até pensavam em infarto, só que não era nada disso. Eu não ia morrer, por mais que quisesse. Era só uma vontade incontrolável de sumir, me esconder em casa e só sair quando minha mente estivesse organizada. Era aquele clássico momento depressivo do dia do aniversário, ia passar.
Abri os olhos. Eles estavam embaçados, mas pude ver os vultos se aquietando e os caras da banda (que estavam quase me levando nos ombros para um pronto-socorro) se afastando. Meus nervos tremiam involuntariamente, mas tudo parecia sob controle. Eu só queria...
Só queria...
— Eu queria falar a verdade para vocês.
Eu só não queria pensar alto.

Todos se silenciaram em um clima mórbido. Do nada, a festa não era mais uma festa. Ela, na verdade, nunca deveria ter sido. Eu queria falar a verdade para as pessoas há muito tempo, e aquela era a hora. Na festa.
— Depois desses cinquenta anos, eu percebi que... que não é isso que eu quero.
— Isso? — Uma voz disse no meio da multidão. Acho que era meu empresário.
— Sim, isso. Essa vida — Mesmo depois de tudo isso que havia acontecido, minhas mãos estavam no mesmo lugar, como se uma corrente elétrica estivesse passando por elas — Essa vida de muitas vozes e poucas palavras, essa vida cheia de contos de fadas e nenhuma lição de moral. Nada disso parece estar fazendo sentido agora. Muito obrigado por terem vindo, mas... eu preciso sair.
Tirei as mãos do pedestal e elas estavam brancas como minha alma. O público estava atônito, mas aquela era a verdade. Todos aqueles convidados, todo o glacê no bolo, todas as cinquenta velas e toda a minha vida até aquele ponto era um erro. Já vi tanta gente que chega ao fim da vida sem buscar o que quer, e eu não quero ser assim. Não quero viver só porque ainda não morri.
De novo me veio à mente se eu não trocaria minha vida de rockstar por uma vida ao lado de Adelaide. Só que daquela vez eu tinha a resposta, e todos sabiam qual era. Estava estampada em minhas mãos petrificadas pelo suor e em meu olhar vazio.
Onde estaria Adelaide a aquela hora?


- Posfácio -

1. Desculpem a formatação, estou BEM SEM TEMPO de ficar postando e arrumando e emperiquitando o post.
2. Pensei que "A poesia de Adelaide" acabaria aqui. Só pensei, né. Essas coisas não acabam tão facilmente.
3. Está um inferno toda essa situação das postagens, me sinto até como uma mera participação especial no blog. Dá vontade de sair xingando geral por aí, mas eu me seguro. Como sempre me segurei.

Até a próxima, gente! (:

sexta-feira, 10 de junho de 2011

O que eles estão vendo



"Position unknown, loneliness hurts." (Tokio Hotel - Humanoid)

Por algum motivo, sempre nos sentimos sozinhos na multidão. Nossas almas têm claustrofobia.
É só olharmos para os lados que vemos dezenas de pessoas, talvez centenas. Todas com um aglomerado de informações equivalente ao seu. Todas com problemas, com confissões e segredos.
E ninguém fala nada.


Vejo uma mulher magra, com aparência de velha, mas é perceptível que tem pouco mais de trinta e cinco anos. Sua velhice não tem nada a ver com o tempo. Com certeza, sua vida foi um martírio sem fim, e posso dizer que ela está cansada de viver. Acorda e dorme estressada, achando que errou na vida. E, de fato, errou. Mas nunca admitirá isso, nem para o seu marido e nem para os seus filhos. Sua dor descansará com ela no túmulo.
Tenho pena dela.

Vejo duas moças de vinte e tantos anos saindo de um carro luxuoso. Uma loira, outra morena, ambas usando saias jeans e empunhando bolsas que custaram a vida de um índio. Com certeza, nada no cérebro. Conversam despretensiosamente sobre os óculos da Dolce & Gabbana que compraram em uma outlet em Miami e sobre alguma balada onde usarão esses tais óculos. Não seria demais se eu dissesse que elas têm uma vida padrão. Uma vida, digamos, sem-graça. Elas nasceram no ponto onde muita gente quer chegar, então... não tem mais emoção. Nasceram no topo o Everest, e é quase certo que elas só podem cair de lá.
Tenho pena delas.

Vejo um morador de rua acariciando os pelos sebosos de um vira-lata. Sua barba quase se funde com os pelos do cachorro. Até sua vida quase se funde com a do cachorro. Ambos devem ter levado inúmeros socos na cara da vida até chegarem onde chegaram. Nada demais, mas pelo menos sorriem. Desdentados, mas sorriem.
De todas as vidas no meu campo de visão, a deles é a única da qual não sinto pena.

E, subitamente, lembro que eles também me veem. O que eles estão vendo em mim? Tenho medo de saber.
Tenho medo porque não quero sentir pena. Não deles, mas de mim.

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Gente, eu não sou obrigado a ficar de bom humor o dia inteiro. Sério.
Se acham que sou, é melhor eu sair dessa cidade.
Na verdade, o que eu quero É sair de São Paulo. Aqui não é um lugar para quem quer crescer, é um lugar para quem cresce.
E eu... cara, não consigo crescer. O passado continua colocando suas mãos sobre meus pés. De verdade, ir para outro lugar seria perfeito. Queria muito me desvincular disso tudo que pesa sobre minhas costas. Me sinto o Atlas da mitologia grega, carregando o mundo nas costas.
Tenho pena de mim. E pena é o pior sentimento que se pode ter sobre outra pessoa.
Até algum outro dia, gente. E dane-se se vocês só leem poemas agora, eu vou continuar escrevendo meus textos em prosa.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

First Bite – More Than a thousand


You were bitten first on the darkest of nights.

Now you'll be living this life forever

And no one is ready for this, and no one is ready for this,

But I'm not afraid to die!
Você  acorda sem um pedaço do braço,jogado em uma poça em um cemitério qualquer de Londres sentindo algo de errado uma dor insuportável no peito e tomado por uma imensa náusea pelo cheiro de sangue fresco.Escutando uma voz te aconselhar:
 -Agora está em seus olhos dentro da sua pele, voce pode não entender mais logo irá sentir a fera dilacerar seu peito.

  
Disse o homem robusto no canto de uma lápide ele gargalhava como um louco beirando a um animal como uma hiena mais precisamente. Aquilo é o inferno e quando você está no inferno apenas dois seres podem lhe retirar de lá. Tudo é diferente sua visão foi melhorada, você passa a ver o mundo através dos olhos de uma besta onde toda sua vida você foi apenas mais um agora é um alfa.Seu olfato apurado sente de longe a vida correndo, pessoas presas em suas funções chatas e todo esse sangue circular.
Another night

The streets are filled whit filth and shit
They smell like blood and cheap wine
You live in the depths of forever but I will find you
You live in the depths of forever but I will hunt you down
Mas acima de tudo você sente que uma parte do seu cérebro foi lobotomizada, e no seu coração agora é o lar de uma fera terrível e sem sentimentos. É o seu monstro interior que agora está se debatendo contra a jaula quer sair de qualquer maneira,então você cai de joelhos pressionando forte sua mão contra seu peito para encontrar o vestígio do humano que ainda resta em seu coração perdido
Every minute you live someone dies
I swear that I have tried
Only to find that I am lost again
Mas os gritos daquele maluco ao seu lado  deixa cada vez mais difícil a concentração e então você começa a negar mais no fundo bem no âmago da sua consciência você entende:Não há volta.
It's in your eyes, under your skin
and I don't understand

up in the sky, on the blackest night
come down and take my hand.

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Post em homenagem a @dkdree_ e aos amigos dela do More than a thousand :D ahahahahahah. 
Abraços e boa Leitura 
ps: Tem continuação esperem pelas outras musicas :D

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Retratação / O som do silêncio

Boa tarde, gente.
Queria pedir desculpas por eu não postar com frequência aqui.
Tive inúmeros probleminhas nessas últimas semanas, e ontem recebi a notícia de que eu não vou poder mais mexer nos computadores do CNA, olha que beleza.
Isso significa que ficarei ainda mais longe daqui, a não ser que aconteça algum milagre e um Sony Vaio pouse nas minhas mãos.

Não esperem nada meu tão cedo, principalmente porque minha inspiração foi embora há algum tempo.
Até algum dia, e continuem vendo as novas postagens do Dereck, do Barney e do Lobisomem. Abraços.

- Fiquem agora com um conto que estou escrevendo nesse exato momento. Espero que gostem, pois será a minha última colaboração com o HWB em um tempo.

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"Quando uma mulher diz não ela quer dizer talvez, e quando ela diz talvez quer dizer sim, porque uma mulher nunca diz sim."

E, de novo, ela repousou a cabeça na mesa e ficou olhando os clipes de música na televisão, como se não tivéssemos conversado por horas a fio.
Resolvi encará-la, olhar para seus olhos verdes tão difusos e corretos. Ela também olhou para meus olhos castanhos tão pequenos e concentrados. Mesmo assim, ela não falava nada.
— Por favor, fala alguma coisa.
— ...Alguma coisa.
— Você parece...
Segurei a língua por alguns momentos. Odeio quando começo a filosofar demais, principalmente com uma garota tão misteriosa quanto ela.
— ...Você parece querer falar alguma coisa, mas ao mesmo tempo... não quer falar. Tem medo.
E ela continuou me encarando, impassível. Queria me desafiar, queria que eu continuasse a falar.
— Parece que todo dia você lembra dessa tal coisa e, do nada, para de falar. Ela te inibe de ser alegre, te inibe de se soltar.
A garota de pele translúcida e rosto marcado por espinhas estouradas só moveu um pouco seu lábio para cima, como se quisesse dizer "é por aí mesmo, continua". Seus olhos continuavam me dissecando.
— Você nunca contou esse segredo a ninguém, e queria muito alguém para contá-lo. No entanto, não faz a mínima ideia de quem pode ser esse alguém.
Não acreditei que ainda estava falando tudo o que me vinha na cabeça. Acreditei menos ainda na minha mão que se aproximou da dela sem que eu fizesse força alguma.
— ...Eu posso ser esse alguém?
Os olhos dela viraram para um canto aleatório.
— Talvez.
Eu venci, finalmente. Nada como o som tranquilizante... do silêncio.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sociedade e o Apocalipse

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Eddie Vedder - Society

E tudo acabou, simples assim não? Eu queria que o fim do mundo fosse apenas uma brincadeirinha, uma pegadinha desse pessoal moderno. Mais não foi, eu não sei como terminou porque ainda está sendo, sabe todo aquele negócio de castigo e outras baboseiras? Nada aconteceu estava mais pra extermínio, certo dia um eclipse do nada aconteceu, o céu ficou vermelho ninguém conseguia acreditar no que estava acontecendo, até que o inferno atrás de cada porta, janela chegou á terra. 


Criaturas dos mais variados tipos que você consiga imaginar escapavam aos montes desses buracos na nossa realidade, e então a matança começou. O show de horrores tomava proporções catastróficas, enquanto alguns corriam para salvar suas vidas e outros lutavam contra todos aqueles pesadelos. Eu vi a cidade pegando fogo, prédios caindo como folhas secas no inverno. Enquanto todo tipo de reza, ritual e tudo que vocês conseguirem imaginar foi feito os que não conseguiam escapar morriam. Eu vi padres entre os mortos, eu vi crianças e mulheres e eu pensei: Onde está Deus agora? Então o tempo parou, o céu foi dividido e hordas angelicais, uma emoção forte tomou meu peito, mais não quando eu vi que além de destruir os demônios os “anjos” castigavam certos humanos. Eles não se importavam em nos proteger e sim em destruir aquilo que era oposto a sua perfeição. E foi quando eu percebi que os únicos que tinham a chave para nossa salvação, não era deus nem o diabo, a resposta desse enigma da consciência coletiva estava no coração da humanidade. Toda essa loucura, esse sangue lavou o consumismo hipócrita,  e toda aquela falsa sociedade mascarada. Tudo que temos no meio dessa guerra é o braço do próximo, e foi assim que formamos a falange dos que sobreviveram para contar a história, e para moldar um mundo melhor. 
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Abraços do @Der_werwolf, e boa noite.






quinta-feira, 19 de maio de 2011

.A tortura – O medo – A Dor.


O que fizerão comigo me criou,
é um principio básico do universo,
que toda ação cria uma reação v

.A tortura – O medo –  A Dor.
Lembranças ressurgiam daquela voz grave e ameaçadora, levavam o garoto ao submundo de seus pensamentos – O pior lugar onde alguém poderia estar. Era uma sala simples apenas um telefone, alguns moveis velhos nada de valor, quando a criança aguçada pela curiosidade e pelo instinto pega o telefone, ele tenta discar alguns números na esperança de ser o da sua casa, de ser o numero da sua amada mãe, mais nada funciona já que ele tinha apenas dois anos.
O desespero aparece misturado com a sensação infantil de não querer estar ali, por motivos a raiva começa a guiar sua pequena mão, deixando com que o aparelho fosse ao chão – Quebrado,assim como sua alma. Logo a mão que educa, também castiga. Gritos e outros berros de repressão faziam seu coração acelerar, no pior dos instintos, no pior dos sentidos. A medida que tudo começa a ficar cinza ameniza a sensação da dor e dos vergões subindo pela pele macia. Arrastado, misturando sua essência com a poeira e os restos do chão frio, agora o ambiente era outro era um quarto a luz entrava fraca pela janela, algo pedia para não desistir, e o castigo apenas começava. A dor física apenas não basta, palmadas, socos e outros tapas, pois uma hora você deixa de sentir as pernas foram as primeiras a sumir, depois os braços, as costas ardiam como o inferno, mais qualquer inferno era bom demais para aquele lugar e de alguma forma aquele ser sabia disso. Ele foi jogado brutalmente contra a cama, como um brinquedo ou algo sem valor. A porta bate e seu barulho ecoa por aquele terrível escuro infinito – Você não sabe o quando o silêncio pode ser enlouquecedor. Toda espécie de demônio se manifesta em um lugar desses, e  ele grita, grita até não ter cordas vocais, grita na esperança que um anjo o escute, mais ninguém o escuta. Ele levanta com dificuldade perdido, sendo guiado apenas pelos finos raios solares que ingenuamente entravam de alguma forma da janela, caminhou até a porta a socando com as mãos, implorando por perdão. Ele percebeu que não iria vencer, então deitou em algum canto, fechou os olhos castanhos normais, a dor marcava muito a escuridão infinita e o cansaço chegou como Morfina para os pesadelos, então ele caiu no sono, onde só iria acordar quando estivesse em um lugar melhor.
·         • Baseado em fatos reais -
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As vezes odeio minha memória.
Abraços

terça-feira, 17 de maio de 2011

Cadência I - tônica

 Prelúdio da Despedida


Abaixo das mais belas estrelas está o seu trono, minha rainha toda terra se curva a tal beleza inspiradora. Sob  a abóbada  celeste você descansa, pacifica, protegida por arcanjos. Eu me pergunto quantos poetas dariam de bom grado suas vidas para apenas tentar traduzir sua beleza em palavras, iriam dizer que suas madeixas são raios de luz pura, retirados  do sol magno, que as flores tentam imitar seu doce e único aroma e seu sorriso radiante, com poderes de salvar um homem da morte certa.
Eu queria poder dizer mais, eu  sacrificaria as batidas do meu coração antes de partir apenas para mais uma vez para contempla-lá.  O tambor soa clamando a guerra próxima, minha rainha, minha inspiração, meu amor! Eu irei enfrentar todos os demônios, a fúria de todos os deuses, porém eu voltarei novamente para seus braços carinhosos, meu orgulho me cega eu sou apenas um cavaleiro e você é minha rainha, respeito e benevolência estão contidos em meu juramento. Jurei servir a liderança daquele profano Rei Louco, que desrespeita sua majestade, que desonra seu sangue e que trai seu nome.Eu não sou arauto de angustias a perfeição, eu quero livrar-lhe de toda essa dor! Bardos entoarão meu nome em suas canções e todos meus feitos serão dedicados  única e exclusivamente a tí, porque quanto eu mais penso em você, mais minha fé aumenta! Minha rainha eu irei voltar desse longo inverno, Cadence espere por mim!
 
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É esperem por mais, isso vai virar uma saga. AHAHHA abraços do @der_werwolf  quem gostou comenta, isso me inspira a fazer mais. AHAHAH