domingo, 13 de março de 2011

Mudanças do Amor



Prometi não escrever
De amor, nem de paixão
Só iria escrever
De sofrimento e solidão

Mais você mudou meu mundo
E meu jeito de agir
Mudou minha forma de pensar
Minha promessa descumpri


Assim que te vi
E meu olhar encontrou o teu
Minha cabeça explodiu
Meu coração quase morreu

Apenas o seu sorriso
Foi capaz de me salvar
Um sorriso meigo e doce
Em você não podia faltar

Quando você abriu a boca
Não pude deixar de perceber
Além de uma garota bonita
Esperta você também tinha que ser

Ate nos seus defeitos
Consegui achar a perfeição
Estava vivendo nesse mundo
Sem nenhuma emoção

A cada dia que passava
Não parava de te olhar
Você era perfeita
E eu tinha que te conquistar

No dia dezenove
Quando isso aconteceu
Meu coração foi a mil
E ali o amor nasceu

Não podia acreditar
Na sorte que eu tinha
Você estava ao meu lado
Era isso que eu queria

Termino esse poema
Com uma simples declaração
"Este amor é para vida inteira
E está marcado no meu coração"

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Esse poema foi feito em uma noite após uma conversa com a Thais Gorni. Então esse poema é pra ela!

Desesperanças


As coisas se desgastam levemente

como a brisa de manhãs que já se foram

Ou as pedras, que no fundo viraram areia

ou os corpos que por dentro já vão podres

de tantas desesperanças e esperar em vão.



As casas em que morávamos ruíram,

as camas em que dormíamos caíram,

e os amores aos quais nos demos se foram.

O que sobre após o Nada, que se acomodou,

tomou-nos pelas mãos, levando-nos aos seus aposentos?

De lá fez nossa morada, sem nada nos questionar.

Quem diria que de tantos momentos felizes,

carinhos aprazíveis, vozes incríveis,

xingamentos cabíceis, corpos apalpáveis,

depois de tudo isso, viesse o Vazio.

O Nada.

De Nada em Nada, fui me preenchendo,

Perfazendo minha tarefa de inexistir.

sábado, 12 de março de 2011

Filhos do Divórcio


-Então você vai aceitar mesmo sabendo que poderá ser apagado da existência?
-Nada me daria mais prazer!

Então o processo cientifico começou. Cada músculo do meu corpo contorcia a sensação de ser esmagado e cortado em pequenos cubos era tão real, porém não passou de uma experiência da qual sobrevivi e agora me resta uma missão!


Algum tempo atrás:


O ambiente era um bar local, pessoas se divertiam comemorando o fim da repressão que o governo exercia sobre a população. Tudo não passava de festas e fogos de artifícios que ascendem ao céu em seus cinco talvez dez segundos de glória. A verdade é que a vida desse povo era comparada a vida útil dos fogos, apenas um momento instantâneo de felicidade e depois disso um mar de escuridão. Um longo mar de escuridão..

Mais hoje não, hoje a bebida dá alegria e tudo está bem e perfeito. Eu sou o único do lado de fora, observando como tudo começou enquanto um homem pede licença para a moça que estava acompanhando ele sai com um copo na mão para pegar um ar e começar meu ciclo de erros. Ele procura no bolso do casaco, pega uma caixinha a abre com todo esmero e começa a analisar a aliança que existe nela e fala alto “Tenho que tomar coragem para isso!”

Essa é minha deixa, vou de encontro aquele homem passos largos como as sombras, olho bem para aquele ser a minha frente, ele me estranha por ter uns aspectos parecidos com os dele só que ele estava alto demais para perceber todos os detalhes. Ele achou que era um assalto e escondeu a aliança como se isso fosse mais importante que sua vida.


 -Ei, por favor, leva tudo menos isso, é para uma pessoal muito especial!Você entende não é cara?

Ele estava desesperado, hipócrita mal sabe que.. Fiz um gesto pacifico demonstrando que só queria conversar, ele ainda estava apreensivo e evasivo.

-Eu nem sei como começar..
 Eu disse meio irônico, e o homem pareceu se acalmar, mas ainda estava desconfiado
-Sabe essa historinha ai que você pretende pedi-la em casamento agora?Não vai dar certo, e eu sei disso porque eu sei que seu amor por ela não é um ciclo sem fim como essa aliança que você quer dar para a pobre moça!

A história tomou outro rumo e antes que eu pudesse falar o resto o homem começa a choramingar falando que ela era o amor da vida dele e outras besteiras que eu sei que não são verdades. Eu resolvi abrir o jogo, sem mais delongas

-Eu sou seu filho, não.. na verdade eu sou o filho do divorcio eu vim do futuro graças a um teste militar, e resolvi fazer algo para mudar a vida de uma pessoa que não merece sofrer e essa é a minha mãe!Você não sabe como tirou pena por pena de um anjo com um simples pedido de casamento ao longo do tempo. Você volta bêbado todas as noites e discutia com ela, e quando ela fica preocupada você desliga o telefone na cara dela porque é um incompetente que não queria assumir que seu amor por ela morreu!Isso não é nobre, é bem trágico...
Eu precisei de uma pequena pausa para recobrar e não jogar muitas informações naquela mente debilitada pelo álcool o impulso falava mais alto toda vontade de jogar na cara daquele rato todas as verdades me consumiam em chamas.


-Eu não vou falar de todas as desgraças que aconteceram agora, olhe bem para isso!
Aproximei meu rosto daquele homem confuso e mostrei minha cicatriz no olho, graças a uma garrafa e um dia de bebedeira; Lágrimas escoriam dos olhos vermelhos daquele homem e ele disse:
-Você se parece tanto comigo, mais tem os olhos da Cindy...
Escrevi um numero de telefone em um papel e entreguei ao homem,o que seria o de sua futura amante.
-Poupe um tempo e uma vida, faça o que é melhor para todos nós e me prove que se eu nasci com honra foi porque eu puxei um pouco de você!
Ele olhava para baixo tentando não aceitar a verdade, mais novamente olhou para cima levantou-se colocou a mão em meu ombro esquerdo e perguntou em um gesto fraternal
-Você vai ficar bem?
Olhei seco para o homem a minha frente talvez uma reação ao primeiro gesto fraternal que eu tive na vida.
-Melhor impossível.
E então eu observei o homem se despedir da jovem moça ela começou há chorar um pouco mais eu sabia que tudo ficaria bem e ela iria encontrar outra pessoa,terminar a faculdade ter um futuro melhor e mais claro do que sendo uma mãe solteira criando uma criança sozinha. Olhei para o horizonte e aquela cidade brilhava tão intensamente, até que todas as luzes consumiram tudo,nesse instante o tempo parou e o ar se tornava mais leve, ao meu redor só existia eu e um clarão enorme, senti meu coração aquecido pelo menos uma vez de um modo diferente e tudo o que eu consegui ouvir foi a voz da minha mãe me chamando mais uma vez!
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Dedicado a todos Filhos do Divórcio, abraços do @der_werwolf 
Hoje o post tem um tema e um video legal também de um documentário quem quiser assistir é pouco tempo só. Ah  e sigam o twitter @heavenswillburn sigam o blog também é fácil e você NÃO precisa ter outro blog pra seguir, deixe comentários para a equipe melhorar cada vez mais o blog :)

E quem gostou pode pegar no meu twitpic algumas fotos do @heavenswillburn para colocar no Tumblr:






 

Hora certa



Anteriormente na saga de Zara, o caçador de anjos:



“Isso também é muito triste! Nós vamos embora deste mundo do mesmo jeito que viemos. Trabalhamos tanto, tentando pegar o vento, e o que é que ganhamos com isso? O que ganhamos é passar a vida na escuridão e na tristeza, preocupados, doentes e amargurados.” (Livro de Eclesiastes, 5. 16-17)


O segurança de dois metros de altura sacou o convite de minha mão e me revistou com apalpadas e uma passada de detector de metais dos pés à cabeça. Fez um sinal com a mão, e finalmente entrei na convenção.
Logo me direcionei ao balcão de informações e tive que enfrentar mais alguns minutos de fila até uma atendente jovem — até demais, parecia ter treze anos — me dizer boa tarde e perguntar o que eu desejava.
— Queria confirmar meu lugar na palestra do Boris Farrell.
— Nome, por favor.
— Zara.
— Zara... — Ela falou, esperando eu continuar com sobrenomes.
— Só Zara. Você não vai achar outro.
— É verdade, senhor — Ela disse depois de poucas teclas apertadas — O seu lugar no salão C é o 2F. Sua presença está confirmada.
Agradeci e comecei a vagar pelos infindáveis estandes daquele espaço gigantesco. Aquela era a 16ª. Feira do Entretenimento, pela primeira vez na capital da Inglaterra. O galpão colossal abrigava representantes de editoras, gravadoras, produtoras e todo tipo de empresa que tivesse alguma ligação com o lazer, além de milhares de pessoas ávidas por novidades e entupidas de ideias e rascunhos para tentar ganhar a vida nesses estandes. Era, de fato, muito interessante, mas eu não estava lá para isso. Talvez com o Vale-Terra eu tenha mais tempo para ler trechos de livros do Dan Brown e ver curta-metragens da Pixar.
A palestra de Boris só começaria às seis, então ainda tinha meia hora de ociosidade até ter o primeiro contato com ele. Boris, ou melhor, Gaar, não seria tão difícil para levar — nem todos os anjos são selvagens como Esmirna —, só que eu teria que gastar todos os argumentos possíveis para convencê-lo de forma amigável. Ele é um gênio cultuado aqui na Terra, pode derrubar qualquer um só com palavras.
Espero que não me derrube.


Meia hora passa rápido.
Já estava acomodado na poltrona 2F do salão C seis horas em ponto, com uma garrafa de água em uma mão e as minhas espinhas na outra. Fiz bem em escurecer a cor dos meus olhos e infestar meu rosto de acne — assim eu passo mais despercebido pelas pessoas —, mas meu rosto pinicava só de pensar que nele residiam várias bolotas vermelhas com células mortas dentro.
Enfim, Boris surgiu com um sorriso escondido pelo bigode grisalho, acenou para a pequena plateia de trezentos plebeus e sentou seus noventa e cinco quilos em uma poltrona azul gigantesca. O palco da palestra foi feito para parecer com uma daquelas casas de sitcoms, cheias de coras e móveis da tendência. No fundo havia um telão onde Boris mostraria seu próximo projeto de série para a Warner Bros. pela primeira vez ao público. Era tudo muito colorido e divertido: Três pessoas foram selecionadas para sentar no sofá do lado oposto à poltrona e fazer duas perguntas cada a Boris. Não vou negar que ele se saiu bem até demais como terráqueo, até eu admiro seu bom humor e desenvoltura ao responder às questões intrincadas sobre o futuro de todas as mídias possíveis e imagináveis.
Os oitenta minutos de bate-papo — pois Boris não se comportava como se estivesse em uma palestra, e sim, em um jantar de Ação de Graças — me fizeram repensar por um momento na missão que tinha. Regras são regras, mas Gaar era mais digno de ser um homem do que muita gente que nasceu de um útero. No entanto, eu tinha que completar a tarefa e chamei um dos seguranças que iria escoltá-lo até o carro. Ele só ergueu os ombros em resposta, e disse a ele para avisar Boris de que  Zara quer falar com ele.
De algum modo muito impressionante, o segurança avisou Boris e ele voltou para o palco, me procurando. Levantei a mão direita e ele finalmente me avistou. Nós, anjos, não nos reconhecemos pelo que vemos — claro, posso virar uma garota albina de um metro e meio agora mesmo se quiser —, mas pelo que sentimos. Nós somos pura energia, e podemos sentir a energia singular de cada anjo, como um perfume ou uma nota musical.
(Só que Gaar já está há trinta e seis anos como humano, então a levantada de braço deu uma força ao velho.)
Boris mandou um segurança — o mesmo da erguida de braço — me mostrar o caminho até seu carro. Sentei no banco do carona e ele, sem frescuras, pegou o volante.
— Quer me levar, né Zara? — Gaar dizia brincalhão, atento nas ruas cinzentas de Londres.
— Querer eu não quero, mas tenho.
— Tudo bem. Está com pressa?
— Nenhuma. Você sabe que tenho todo o tempo do mundo.
— Assim como eu — E abriu um sorriso que me cativou a imitá-lo.
Poucos minutos se passaram até chegarmos em um dos casarões de Gaar, estacionarmos em sua garagem de cinco carros e subirmos para sua sala de estar. Sentei em um sofá de couro branco e ele em uma poltrona do mesmo material. Sentia que estava tendo um déjà vu, revendo Boris Farrell na palestra. Bati na minha testa cheia de acne e esqueci essa bobeira, esperando que ele falasse algo.
— Quer chá, café, suco, água... ?
— Não quero nada, obrigado.
— Nada mesmo? Não é todo dia que você vem a uma casa como essa, não?
Ele tinha razão. Gaar tinha uma residência tão bonita e ornamentada que me fez pensar se Deus não havia dado alguns palpites para a decoração. Quadros valiosos enfeitavam as paredes cáqui do local, me fazendo delirar nas cores e formas indecifráveis deles.
— Não acredito que você conseguiu tudo isso só escrevendo e dirigindo séries, Gaar...
— Nem eu — Falou, puxando uma garrafa de uísque de um compartimento logo abaixo da poltrona e enchendo dois copos. É incrível como ricos têm o costume de ter vários compartimentos secretos na casa — Tome, Zara. Um uísque faz bem.
Hesitei, mas peguei o copo e dei um gole naquele líquido ocre que queimava a garganta. Odiava beber drinques alcoólicos, mas eu precisava levar Gaar o mais rápido possível e ele estava enrolando demais, então resolvi agradá-lo. Seria mais fácil.
— Nem deu tempo de sentir saudades de você — Ele disse, e logo previ que um discurso estava tomando forma — O tempo na Terra passa muito mais rápido do que em nossos campos verdes e tediosos. A vida aqui demanda muito mais percepção, astúcia, esperteza... — Pausa para o uísque — ...São poucos os que conseguem dormir em paz depois do sol se pôr. O mundo continua girando mesmo quando queremos calma. Nunca temos paz na Terra.
— Nem mesmo você?
— Eu tenho tudo, Zara. Uma mulher linda que me ama, dois filhos que já planejam netos para mim, uma conta bancária mais do que satisfatória e um punhado de amigos para jogar mini-golfe nos momentos de tédio. Sou clamado por qualquer um que se interesse um palmo pela televisão, e sou considerado a personificação da mídia. Sou a galinha dos ovos de ouro com bigode, em resumo. Só não tenho paz.
De repente, os olhos vivos de Gaar se transformaram em dois buracos negros que sugaram toda sua luz. Seu rosto ficou abatido, e o Boris de momentos antes era só uma lembrança. Tive calafrios só de ver essa mudança brusca.
— Tenho medo, Zara. Medo desse planeta cair em outra Depressão e eu acordar com a conta zerada. Medo de encontrar meus filhos largados em um beco sujo cheirando cocaína e me mandando tomar naquele lugar. Medo do fracasso das minhas séries, de ficar no ostracismo. Medo da velhice e da falta de juventude. É só isso que penso quando minha cabeça encosta no travesseiro.
Gaar deu mais um gole no uísque e apertou os olhos para evitar que lágrimas caíssem. Era difícil vê-lo nessa situação.
— É como se eu tivesse ficado todo esse tempo aqui pra comprar algo... que não tem preço — Ele dizia entre soluços — A paz não precisa de dinheiro, de fama, de propriedades. Ela é auto-suficiente, só precisa de si mesma. Eu só posso ter paz quando tiver paz, entende?
— Sim. — Mentira.
— Não, você não entendeu.
(Filho da mãe.)
— A paz surge quando você simplesmente não se preocupa com nada. A paz é o desapego. A paz sabe que o mundo gira e que ninguém pode fazer nada contra isso. Ela te invade quando você menos espera, e vai embora sem você perceber que esteve lá. Está entendendo agora?
— Sim. — E é verdade.
— Eu criei muito com o que me preocupar, e essa é a vida que escolhi. Não tenho como voltar. Se você não viesse hoje eu estaria fadado a muitos anos de amargura na hora de dormir. Acho que finalmente aprendi a lição.
Gaar levantou, estendeu os braços e assim ficou, como um Cristo Redentor fora de forma.
— Sabe, Gaar... — Eu dizia, retirando a adaga da cintura —Pensei que eu teria que te dar um sermão para te levar, só que você fez isso por mim...
— Eu estava esperando por você há anos — Ele choramingava, com os olhos distantes e mirando o teto. Ou talvez o céu — Você ou qualquer um que viesse me buscar. Eu não sei mais como voltar ao céu por conta própria, nem me sinto digno disso. Gastei tantos anos humanos para reconhecer que... no fim, Deus tinha razão.
— Ele sempre tem — Confirmei com uma comoção gigantesca querendo imobilizar meu braço — Mas isso é óbvio, Gaar. Ninguém pode levar nada dessa vida.
— O que eu ainda acho uma pena. Até logo, Zara.
— Ei, espere — Lembrei de algo crucial aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo — Como eu vou te levar se você tem mulher, filhos...? Isso não vai dar algum pro...
— Já conversei com Gina — Gaar disse no mais calmo dos tons de voz — Ela sabe o que eu realmente sou, e vai dizer a todos que foi um aneurisma. Aí é só deixar o caixão fechado. Combinamos isso no caso de alguma, hum... saída de emergência.
— Como essa?
— Com certeza — Ele juntou as mãos e retirou do dedo anelar esquerdo sua aliança de casamento. Beijou-a, deixou a jóia em cima da poltrona e voltou à posição de Cristo Redentor — Vá logo com isso, senão serei obrigado a terminar o roteiro da minha próxima série.
E enfiei a adaga em seu pescoço, vendo-o se desfazer em plumas. Tratei de desvanecer o mais rápido possível.




Assim como Gaar, também aprendi uma lição. Olhei para as pessoas que andavam desconfiadas e apressadas pelas ruas de Londres e pensei como nada disso adiantaria na morte. Pensei como nada adianta na morte. A morte é algo distante de mim, mas não consigo deixar de pensar na ideia do Vale-Terra. E seu gostar mesmo daqui? Querer uma casa, um emprego, uma família? Não faço ideia de como será meu futuro, e Deus é metódico demais para me dar qualquer palhinha sobre ele.
No entanto, para todos os efeitos, agora sei que a vida na Terra é questão de momento. A vida é curta, a vida não espera. A vida pertence a nós; a morte pertence a Deus. E tanto uma como outra sempre vêm na hora certa.
Sempre.


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Voltei mais cedo do que pensei que voltaria.
Melhor assim.

quinta-feira, 10 de março de 2011

A lenda das Monções




“Ainda nos deliciamos com as antigas histórias (...) Sentimos seu antigo poder ecoar profundamente em nós, enquanto nossa consciência fica repetindo ‘É só uma história’.” (Paul Levitz)


O homem franzino e desastrado se aproximou da porta de carvalho do antiquário. Abriu-a com o maior receio que já sentira na vida, esperando que qualquer bicho peçonhento picasse sua panturrilha. Entretanto, a escura loja era aparentemente dócil como um filhote de cachorro. Atrás do balcão, um negro gigante olhava para ele, esperando sua aproximação com um sorriso torto no rosto.

Por fim, o pequeno homem — mais pequeno ainda se comparado à muralha negra à sua frente — encostou suas mãos no balcão e esboçou um singelo “oi” com uma delas.
— Oi — O negro respondeu com uma voz cavernosa, que amedrontaria qualquer guerreiro espartano. O rapaz estremeceu, mas controlou a voz para continuar o diálogo.
— É... uma pessoa me mandou o endereço daqui para que eu...
— Você é o ator que não consegue mais se apresentar?
Ele assentiu com a cabeça raspada, impressionado com o corte na conversa. Entretanto, o negro não deixou recobrar o fôlego.
— O seu amigo me ligou falando o problema que você tem, humano. Por favor, sente-se.
A muralha apontou para um banco de madeira para onde o rapaz foi sem hesitar. Olhou-o de cima a baixo e pigarreou para começar a conversa.
— Seu amigo me disse que você é um ator consagrado nos teatros aqui do leste, certo?
— Sim.
— E que você iria entrar em cartaz com uma adaptação de “O Homem Invisível”, de H. G. Wells, certo?
— Sim.
— E que você simplesmente não conseguiu atuar na primeira noite pois caiu em uma profunda depressão, certo?
— Sim.
— E que você não saiu de casa até anteontem, certo?
— Sim. Olha, você pode ir direto ao ponto? Eu...
— Eu que faço as perguntas aqui, certo?
— Está bem — O rapaz disse, congelado de medo.
— Pois bem. O que aconteceu antes da apresentação?
— Acho que nada de importante... arrumei minha casa, encontrei alguns amigos, bebi cerveja...
— Depois da cerveja.
— Espera, se você sabe o que eu preciso falar, por que você mesmo não fala?
— É tão difícil para você me obedecer?
O jovem revirou os olhos e analisou os músculos proeminentes do negro que poderiam esmigalhá-lo se tivesse alguma oportunidade. No entanto, estava com mais medo do seu modo de falar do que de sua massa muscular. Ele falava com a calma de um eremita e não agia como um antiquário de camiseta florida. Ele era indecifrável.

— Posso continuar ou você vai me cortar de novo?
— Vá.
— O que aconteceu depois da cerveja?
— Bem, eu estava com meus amigos nas mesas de fora do bar quando um vento veio e quase levou todas as mesas...
— É isso.
— O quê, o vento?
— Isso não foi um vento — O negro parou, como se quisesse dar um suspense inútil à conversa. Abaixou o tom de voz e disse: — Foi uma Monção.
— Uma o quê?
— Monção.
— Ah sim, aqueles ventos que...
— Não, humano. Nada disso. Nem tente arriscar algo porque você não sabe.
Com as sobrancelhas levantadas, o rapaz se indagou o por quê do homem o chamar de “humano”, afinal ele bem parecia humano também. Um humano aterrorizante e enigmático, mas ainda um humano.
— Há milhares de anos antes do mundo como conhecemos, a palavra “monção” era motivo de desespero para a maioria das pessoas — O antiquário falava com um tom profético, usando muitos gestos para o que expressava — No entanto, ela foi perdendo seu poder com o passar do tempo.
— Os ventos, humano, não são só deslocamentos de ar. Eles são provocados por alguém; alguém empurra esse ar. Normalmente são espíritos bons que foram designados para essa função, e o mundo funciona como deveria funcionar. Mas, às vezes, esses ventos que transitam por todos os mundos e dimensões, movimentam outros espíritos; espíritos malvados ou perdidos que usam o ar para esgueirarem-se pelas realidades. Esses espíritos, na sua maioria, circulam com os ventos e não causam mal algum, mas ainda existem exceções.
— Alguns espíritos resolvem controlar o ar por conta própria. Eles sopram ventos muito fortes e atrapalham o curso normal dos sentimentos e ações humanas. Essas são as Monções.
— Então você quer dizer que aquele vento no bar...
— Sim — A muralha confirmou, estalando o pescoço — Os egípcios foram os primeiros a escrever e até estudar as Monções. Em seus documentos constava um jeito de aprisionar esses espíritos maus.
— E... você sabe qual é o jeito?
— O que você acha que são essas garrafas?
O antiquário apontou para as infindáveis prateleiras que davam voltas no estabelecimento. Nelas haviam garrafas, potes e ânforas de todas as cores e tamanhos, com um líquido levemente esverdeado dentro de cada uma. O ator fracassado ousou em pegar uma e analisá-la de perto. Viu que havia um pequeno pedaço de papel boiando no líquido.
— Com o passar do tempo — O negro continuou, sabendo que o rapaz estava mais interessado do que nunca — Muitos espíritos foram aprisionados e a lenda foi perdendo sua força. Hoje em dia são poucos os espíritos que se aventuram pelas Monções, e você teve o azar de ser atingido por uma.
— Como... como você conseguiu tantos? — O rapaz ainda olhava para o mundo de espíritos enjaulados em frascos tão frágeis. Pensava como uma dessas almas presas em garrafas puderam causar uma crise de depressão tão grande que ele foi obrigado a tomar calmantes por conta própria para dormir quatro horas por dia.
— O meu dono comprou esses frascos do mundo todo, humano. Aqui é um dos únicos lugares da Terra que sabem da existência das Monções.
— Seu... dono?
— Por que você acha que te chamo de humano?

O negro puxou um cantil do bolso e o deixou no balcão.
— Eu estava nesse cantil até dois anos atrás. Fui a primeira alma perdida capturada pelo meu dono. Eu era só um garoto de onze anos quando fui morto com minha família inteira no Vietnã. Desde então minha alma vagava pelos mundos procurando qualquer coisa que eu pudesse fazer, até achar o ofício dos ventos. No entanto, acabei me corrompendo pelas forças do mal e me tornando um criador de Monções. Meu dono foi atingido por uma delas e me aprisionou nesse cantil enquanto fazia uma travessia pelo deserto do Atacama.
— Puxa vida... — O rapaz admirava o negro monstruoso e não o imaginava sendo uma criança amarela de olhos puxados caída com balas americanas no peito. Mas a história ainda não havia acabado.
— Desde então meu dono resolveu caçar essas Monções mundo afora, até que teve um infarto fulminante enquanto tragava um cigarro em algum beco de Nápoles e caiu morto. Um mendigo que encontrou-o abriu esse cantil, pensando que haveria água, mas ele acabou me libertando. Assim, resolvi continuar o nobre trabalho do meu dono e assumi essa forma.
— Caramba...
— Eu sei que você está impressionado, mas não é isso que quer ouvir — O antiquário buscou uma garrafa de refrigerante vazia em uma caixa e tirou uma rolha de camurça de uma gaveta empoeirada — Segure, humano. O espírito que estava te amaldiçoando já deve ter ido embora, mas provavelmente voltará para uma segunda rodada de brincadeiras. Se o vento começar a ficar muito forte perto de você, encha essa garrafa com água até a metade e jogue esse papelzinho aqui dentro dela — A muralha tirou de outro bolso um pequeno papel com os dizeres "debelatum est" — "Terminou a guerra". A água começará a ficar turva e por fim ficará nesse tom esmeralda. Isso quer dizer que o espírito finalmente se acalmou na garrafa. Essas palavras são para que eles se sintam finalmente em paz.
Quando o negro terminou de falar, o rapaz estava boquiaberto e trêmulo. Guardou tudo em sua pequena mochila, disse um "obrigado" apavorado e se dirigia para a porta, mas quando tocou a maçaneta o antiquário o chamou com sua voz de trovão.
— Se conseguir aprisioná-lo, traga a garrafa aqui que eu a compro, certo?
— ...Sim.
O pequeno homem saiu do local atordoado. Não sabia se poderia acreditar em tudo o que ouviu em tão pouco tempo. Sentia-se atingido por uma onda e levado para o meio do oceano, perdido nas águas sem lei e sem saber o que fazer. "Acreditar nisso", ele refletia, "seria como acreditar em Papai Noel". Só que ele não tinha oura opção senão julgar o que os psicólogos chamavam de "transtorno bipolar" ou "excesso de estresse" como um espírito brincando com sua sanidade.

Ele sorriu e partiu correndo para sua casa arrumada, feliz por saber que nem toda a verdade se esconde em livros, e que muitas verdades nem deveriam estar neles.

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'Bas noite, pessoar.

Eu sei que esse texto está horrível, mas é o que tem para hoje. Provavelmente não postarei tão frequentemente por dois fatores: 1. Não consigo organizar minhas ideias e 2. Preciso focar no meu livro, "Céu, Inferno e Liberdade". Ando muito insatisfeito com os contos que escrevo pra cá (vocês não têm NOÇÃO de quantos eu já rasguei. Só esse das Monções reescrevi umas três vezes, e ainda me sai esse lixo), então acho melhor me concentrar no meu grande projeto.
Isso não quer dizer que eu não vá mais postar aqui. Eu vou tentar amadurecer as ideias, continuar a saga de Zara e dar um desfecho para a poesia de Adelaide, mas realmente está difícil para escrever.
Enquanto isso vocês podem ficar com os textos excelentes do Victor, do Barney e do Dereck (falando nisso, bem-vindo ao time!).
Sigam o @heavenswillburn e divulguem o blog para tudo e todos. Quando eu finalmente gostar do meu livro eu volto aqui.

Bye!

Sobre a espera e sobre ela.

Ela nunca sabe o que quer
É apenas uma jovem criança
Acha que a vida é uma dança
E pensa ser uma bela mulher.

E sempre está nesse dilema
Finge pra todos, tenta disfarçar
Faz-se de mulher, finge um olhar
Mas chora a cada novo problema.

Inventa um mundo só para ela
Debocha de mim, desfaz-se de tudo
Esquece que eu a espero na janela

De tanto esperar, fiquei barbudo
Cantei à sua porta, até à capela
Mas depois de cansar, acabei mudo.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Que a vida podia ser bem melhor...


Sou uma pessoa, que como toda pessoa,
Vive pensando no futuro,
Fica remoendo o passado
E não lembra de aproveitar o presente.

Eu diria que sou o pior tipo de pessoa...
Pois tenho um defeito,
Defeito esse que muitos acham ruim.
Defeito que ao mesmo tempo destrói e constrói.

Sou uma pessoa que passa a vida imaginando...
Imaginando como seria. Imaginando o "Se?".
Todos costumam rotular essas pessoas como: SONHADORES
É...Sim! Sou um sonhador.

Sou um sonhador que imagina diversas coisas,
Mais sei que essas coisas nunca irão acontecer.
Mesmo sendo sonhador, também sou REALISTA!
A combinação dessas duas características é perigosa.

Perigosa, pois de tanto sonhar
E sabendo que nada irá acontecer,
As pessoas se machucam, se magoam,
Se sentem infelizes e tristes.

Infelizmente na vida, às vezes ate diria felizmente,
Não temos controle do que irá acontecer.
Ou nada sai do jeito que queremos.
Eu sei que nada é do jeito que queremos. NADA

Queria que algumas coisas acontecessem de forma diferente.
Assim não teria que...

Escolher entre a amizade e o amor,
Escolher entre uma pessoa e outra,
Escolher a maneira como irei ser,
Escolher a verdade ou a mentira,
Escolher o ser e o não ser,
Escolher o viver ou se esconder.

Queria que algumas coisas não acontecessem,
Para que eu não tivesse que sofrer a cada noite...

Sofrer com a solidão,
Sofrer com a dor da perda,
Sofrer com os desprezo,
Sofrer com a falta de compaixão,
Sofrer com o afastamento,
Sofrer sem seu amor.

Eu um mundo onde os fracos não têm vez,
Vou deixando minhas migalhas no caminho.
Vou me desfazendo aos poucos,
Para um dia deixar de existir.

Vou tocando a vida enquanto conseguir,
Vou viver com uma só razão de existir.
Vou me alegrar e me decepcionar,
Mas nunca vou deixar de tentar ser feliz.
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Para os desavisados aqui é o Barneyy (Guilherme), espero que gostem do poema!