terça-feira, 31 de maio de 2011

Traços


Mal posso parar de olhar seus traços,
Seus contornos, suas curvas nos enlaços
Que trocamos embaixo dos nossos lençóis.
O toque da seda da camisola me causa ciúme,
E sua pele por baixo dela provoca um ardume
Que é maior do que me infligiriam dois sóis.



Mas a noite se vai, e com ela a certeza
De que não terei mais aqui sua beleza
E que tudo isso não passou de um sonho.
Gostaria que os mares pudessem agora
Selar-nos num abraço, e que a toda hora
Pudesse eu dar-te prazer como proponho.

Pena que minha ninfa é muito fugidia,
Corre sempre, mas penso: Que bom seria
Se um dia pudesse eu tê-la para mim.
Só em meus braços, sob a sombra frugal
De uma árvore de estatura monumental
E permanecesse por muito tempo assim.

domingo, 29 de maio de 2011

Entrega


E me entrego a você
Como um cego, que sem medo
Se rende à escuridão do desconhecido.
Como o sol que nasce

E leva a noite embora ao seu abrigo.
Como a água da chuva que cai,
Sem saber quais caminhos
Que irá traçar, onde irá se meter.
Sem medo, vou.


Continuo firme em minha entrega.
Sigo em frente sem pestanejar
Sem pensar no que pode acontecer
Ou melhor, que já aconteceu.

A coisa mais bela que poderia querer
Está bem ali, na minha frente,
Nas palmas de minhas mãos abertas,
Como a implorar por novos caminhos,

Novas aventuras, novas curvas.
E tudo está ali.
Você está ali.
Ao meu alcançe e tão intangível

Que é dor demais para suportar.
Sou imprevisível, supreendo a mim
Por ser tão desmedido em meus atos,
Por fazer coisas sem pensar,
Por me fazer de todo seu.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Chuva


Parece que os céus sentem
Minhas lamúrias, anseios,
Minhas preces, desvarios.

Mas nem por isso podem me salvar
Do destino tristonho, cabisbaixo.
O que fazem é mandar chuva abaixo,
Só para ver se assim me atino.


Queria ser eu como os céus,
E apenas compartilhar a dor
Que na verdade, o outro sente,
Sem saber o que é tê-la por si.

Antes fosse assim que aguentar
Um peso de mil toneladas
Sobre os frágeis ombros fatigados.
Que, fustigados pelo tempo,
Cansados, exauridos de forças,
Cedem sob o enorme peso,
De coisas que não deveriam ser.

Tento caminhar contra a corrente,
Navegar contra a maré em vão.
Tudo é água, tudo é choque,
Um desperdício de energia,
Um conluio entre a natureza
E os céus, que, impassíveis,
Apenas assistem minha dor terrível
Enquanto passo a inexistir.

Nem lembro do que sou, ou como surgi.
Não sinto meus órgão, o peito vai vazio,
Numa dor que não é sentida, mas persiste.
Como a água da chuva que bate na janela.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Sociedade e o Apocalipse

Sociedade, sua raça louca.
Espero que não esteja solitária sem mim.
Eddie Vedder - Society

E tudo acabou, simples assim não? Eu queria que o fim do mundo fosse apenas uma brincadeirinha, uma pegadinha desse pessoal moderno. Mais não foi, eu não sei como terminou porque ainda está sendo, sabe todo aquele negócio de castigo e outras baboseiras? Nada aconteceu estava mais pra extermínio, certo dia um eclipse do nada aconteceu, o céu ficou vermelho ninguém conseguia acreditar no que estava acontecendo, até que o inferno atrás de cada porta, janela chegou á terra. 


Criaturas dos mais variados tipos que você consiga imaginar escapavam aos montes desses buracos na nossa realidade, e então a matança começou. O show de horrores tomava proporções catastróficas, enquanto alguns corriam para salvar suas vidas e outros lutavam contra todos aqueles pesadelos. Eu vi a cidade pegando fogo, prédios caindo como folhas secas no inverno. Enquanto todo tipo de reza, ritual e tudo que vocês conseguirem imaginar foi feito os que não conseguiam escapar morriam. Eu vi padres entre os mortos, eu vi crianças e mulheres e eu pensei: Onde está Deus agora? Então o tempo parou, o céu foi dividido e hordas angelicais, uma emoção forte tomou meu peito, mais não quando eu vi que além de destruir os demônios os “anjos” castigavam certos humanos. Eles não se importavam em nos proteger e sim em destruir aquilo que era oposto a sua perfeição. E foi quando eu percebi que os únicos que tinham a chave para nossa salvação, não era deus nem o diabo, a resposta desse enigma da consciência coletiva estava no coração da humanidade. Toda essa loucura, esse sangue lavou o consumismo hipócrita,  e toda aquela falsa sociedade mascarada. Tudo que temos no meio dessa guerra é o braço do próximo, e foi assim que formamos a falange dos que sobreviveram para contar a história, e para moldar um mundo melhor. 
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Abraços do @Der_werwolf, e boa noite.






terça-feira, 24 de maio de 2011

Homem de rua


Começava mais um dia de chuva.
Com gotas gordas, caindo
Sobre as cabeças das pessoas
E sobre as construções da cidade.
E lá estava ele, estático.
Sob seu amontoado de jornais.


Jogado sobre papelões,
Na escadaria da igreja, na praça.
A água gélida caía-lhe como facas.
Sentia um frio terrível, batia os dentes.
Urinou ali mesmo, tentando se aquecer.
Preocupava-se com seu cão.
Há mais de três dias não comiam,
Cada vez mais podia ver suas costelas.
Pensava em como viera parar ali.
Não conseguia se lembrar.
Sua memória já não era como antes.
Os roncos do estômago e o barulho da chuva
O impediam de pensar direito.
Estava com muito medo. E frio. E fome.
Chegara sua hora. O fim do sofrimento.
Talvez iria para um lugar melhor.
Não tinha essa certeza.
Não conseguia se lembrar.
Como era a vida antes disso?
Não importava mais. Não agora.
O céu chorava por ele, piedoso.
Dormia tranquilamente.
Nada mais de fome.
Nada mais de medo.
Só a paz.

domingo, 22 de maio de 2011

Amor que Confunde



No momento que entrou na minha vida
Meu mundo desabou de uma só vez
Minha mente ficou vaga e perdida
Era só ilusão, uma estupidez.


Era um misto de sentimentos
E eu até me confundi
Foram noites de muitos tormentos
Foi ai que me perdi.

Fui acreditar no meu fraco coração
Me perdendo na ilusão de um novo amor
Me deixei ser tocado pela emoção
E agora o que só sinto é dor

Dor de não te ter
E a cada dia não conseguir te esquecer

Dor de te abraçar
E saber que no próximo dia terei de te encontrar

Dor de te beijar
E saber que alem de sonho isso não vai passar

Dor que me faz perceber
Que não consigo viver sem você

Dor que machuca meu coração
Destrói minha alma, e me deixa em suas mãos.





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Apos tanto tempo eis que surge mais um dos meus posts!! Espero que gostem!!

quinta-feira, 19 de maio de 2011

.A tortura – O medo – A Dor.


O que fizerão comigo me criou,
é um principio básico do universo,
que toda ação cria uma reação v

.A tortura – O medo –  A Dor.
Lembranças ressurgiam daquela voz grave e ameaçadora, levavam o garoto ao submundo de seus pensamentos – O pior lugar onde alguém poderia estar. Era uma sala simples apenas um telefone, alguns moveis velhos nada de valor, quando a criança aguçada pela curiosidade e pelo instinto pega o telefone, ele tenta discar alguns números na esperança de ser o da sua casa, de ser o numero da sua amada mãe, mais nada funciona já que ele tinha apenas dois anos.
O desespero aparece misturado com a sensação infantil de não querer estar ali, por motivos a raiva começa a guiar sua pequena mão, deixando com que o aparelho fosse ao chão – Quebrado,assim como sua alma. Logo a mão que educa, também castiga. Gritos e outros berros de repressão faziam seu coração acelerar, no pior dos instintos, no pior dos sentidos. A medida que tudo começa a ficar cinza ameniza a sensação da dor e dos vergões subindo pela pele macia. Arrastado, misturando sua essência com a poeira e os restos do chão frio, agora o ambiente era outro era um quarto a luz entrava fraca pela janela, algo pedia para não desistir, e o castigo apenas começava. A dor física apenas não basta, palmadas, socos e outros tapas, pois uma hora você deixa de sentir as pernas foram as primeiras a sumir, depois os braços, as costas ardiam como o inferno, mais qualquer inferno era bom demais para aquele lugar e de alguma forma aquele ser sabia disso. Ele foi jogado brutalmente contra a cama, como um brinquedo ou algo sem valor. A porta bate e seu barulho ecoa por aquele terrível escuro infinito – Você não sabe o quando o silêncio pode ser enlouquecedor. Toda espécie de demônio se manifesta em um lugar desses, e  ele grita, grita até não ter cordas vocais, grita na esperança que um anjo o escute, mais ninguém o escuta. Ele levanta com dificuldade perdido, sendo guiado apenas pelos finos raios solares que ingenuamente entravam de alguma forma da janela, caminhou até a porta a socando com as mãos, implorando por perdão. Ele percebeu que não iria vencer, então deitou em algum canto, fechou os olhos castanhos normais, a dor marcava muito a escuridão infinita e o cansaço chegou como Morfina para os pesadelos, então ele caiu no sono, onde só iria acordar quando estivesse em um lugar melhor.
·         • Baseado em fatos reais -
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As vezes odeio minha memória.
Abraços